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Mercado vê Fed subir juros após 3 anos com alta global de preços
Resumo:Na segunda-feira (14), 92,4% dos operadores viam juros mais restritivos como o caminho mais provável
Na segunda-feira (14), 92,4% dos operadores viam juros mais restritivos como o caminho mais provável
Nesta “superquarta”, é o Federal Reserve que está na berlinda. O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) inicia sua reunião de política monetária nesta terça-feira (15), sob a expectativa de que deve subir os juros dos Estados Unidos pela primeira vez em três anos.
O movimento para cima, a ser confirmado na quarta (16), ocorre em meio à pressão inflacionária ao redor do mundo, resultado sobretudo da disparada do preço do petróleo em reflexo ao conflito dos Estados Unidos e aliados contra o Irã.
Há um mês, a fotografia era outra. Cerca de 30% do mercado acreditava que o Fed elevaria sua taxa referencial em 0,25 ponto percentual no meio de agosto, contra mais de 60% que bancavam a manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75%, segundo a ferramenta Fed Watch do CME Group.
Há uma semana, o jogo já havia virado, mas estava próximo do empate: 59,4% apostavam em alta ante 40,6% em estabilidade.
Na segunda-feira (14), 92,4% dos operadores viam a alta como caminho mais provável.
A pressão dos preços já se traduz em números. Em julho, o PCE - índice que mede as despesas de consumo pessoal e indicador inflacionário favorito do Fed - encerrou com alta de 3,7% no acumulado em 12 meses.
O resultado mostrou estabilidade ante o mês anterior, mas ainda assim indicou aceleração de praticamente 1 ponto percentual ante o mesmo período do ano passado.
As apostas de alta ganham força com recentes recados do chair da autoridade monetária, Kevin Warsh, em trazer a inflação para baixo.
“A dúvida sobre se o Fed garantirá inflação na meta, entregando as altas de juros conforme o necessário pressiona os rendimentos dos títulos também via credibilidade, além de um possível erro de política monetária”, pondera Andressa Durão, economista do ASA.
“Isso tudo impacta o investidor porque juros maiores reduzem os preços dos títulos, pressionando os bonds e ações, e impacta a economia tornando crédito e financiamentos mais caros, reduzindo o consumo e o investimento.”

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- Inflação pressiona
- Juros futuros em alta
- Fed dividido
Em pouco mais de seis meses, os reflexos da guerra dos EUA contra o Irã seguem presentes na economia norte-americana.
De um lado, a crescente dívida pública federal do país começa a gerar dúvidas sobre a integridade fiscal da gestão republicana de Donald Trump, já gerando uma pressão sobre o prêmio de risco na curva de juros futuros. Em agosto, a dívida nacional dos EUA ultrapassou o recorde de US$ 40 trilhões, com crescimento de cerca de US$ 7 bilhões por dia e já equivale a mais de US$ 117 mil por habitante do país.
Do outro, a guerra pressiona diretamente o bolso do consumidor norte-americano, com a alta do petróleo no mercado internacional levando o preço de combustíveis a níveis recordes.
Não obstante, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos EUA acelerou em agosto, com a recuperação do preço da gasolina após duas quedas mensais consecutivas.
“Observamos uma inflação acima da meta há cinco anos e meio, mantendo-se em patamares pressionados”, ressalta Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.
Com todos esses fatores trazendo incerteza econômica e pressão por uma política monetária mais restritiva, a curva de juros - referência para contratos e títulos de renda fixa - abre nos EUA.
Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de 10 anos encerraram a segunda-feira em 4,99%, chegando a tocar os 5% ao longo do pregão. A última vez que o bond yield norte-americano chegou a esse patamar foi em 14 de outubro de 2023.
“Esse movimento indica um mercado que começa a desancorar as expectativas de inflação, resultando em uma elevação expressiva da curva de juros, com os investidores exigindo prêmios maiores”, indica Marcatti.
E com a alta do rendimento dos títulos norte-americanos - considerados um porto seguro dos investimentos -, se torna mais atrativo para os investidores mandarem dinheiro para os EUA, diminuindo o fluxo para emergentes.
“O fortalecimento do dólar resulta na saída de capital de países emergentes, que migram em direção aos títulos da dívida norte-americana”, complementa o CEO da Veedha.
Além disso, uma vez que a curva serve de referência para o custo do crédito em geral, de financiamentos imobiliários a empréstimos para empresas, o mercado segue atento a seu movimento.
“Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o que tende a esfriar o consumo e o investimento. Ela também ajuda a precificar outros ativos financeiros, como ações, então juros mais altos tendem a pressionar os preços na Bolsa”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Mas o mercado acredita que haverá um “dissenso por manutenção”, como destaca prévia do ASA sobre a decisão do Fed.
Além do cenário inflacionário, os investidores colocam na conta o “discurso mais duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, sinalizando menor tolerância a qualquer desvio da meta de inflação”, segundo Kayo.
“O resultado é um mercado que passou a tratar a alta de juros como praticamente certa”, pontua.
Indicado ao cargo por Donald Trump, o presidente do Fed manteve a postura firma apesar da pressão contínua do republicano por juros mais baixos. Além de defender um corte às vésperas da decisão, Trump ameaçou suspender parcerias comerciais se o BC dos EUA não baixar suas taxas.
O banco central dos EUA “terá trabalho a fazer” se os formuladores de política monetária não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está voltando à meta de 2%, afirmou Warsh durante o simpósio econômico do Fed em Jackson Hole, no Wyoming.
Na contramão, o diretor Christopher Waller acredita que a autoridade monetária pode esperar mais uma reunião antes de alterar os juros, diante de sinais anteriores de desinflação, mas reiterou que apoiaria uma alta caso o movimento fosse revertido com os dados de agosto.
Andressa Durão, economista do ASAAinda assim, o mercado não vê um consenso na decisão desta quarta.
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