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Diversificar estratégias no forex nem sempre reduz o risco
Resumo:Diversificar estratégias no forex só reduz risco quando elas têm correlação baixa. O artigo mostra a diferença com um cálculo hipotético entre duas estratégias e aponta como a correlação muda com o tempo.

O que é correlação entre estratégias
Quem começa no forex, o mercado de câmbio, logo escuta que diversificar é prudente. No contexto de estratégias, diversificar costuma significar usar mais de um plano de regras para decidir quando abrir e fechar operações. Estratégia, aqui, é um conjunto de regras que indica entrada e saída.
Correlação é uma medida estatística que varia de -1 a +1. Em +1, dois resultados tendem a andar juntos; em -1, tendem a andar em direções opostas; em 0, não há relação clara. No forex, correlação alta entre estratégias significa que elas tendem a ganhar e a perder em períodos parecidos.
A frase “diversificar reduz risco” só faz sentido se as estratégias tiverem correlação baixa. Se todas usam o mesmo indicador de entrada, ou seja, a mesma fórmula para decidir quando abrir uma operação, e dependem do mesmo evento econômico, como a divulgação de um dado importante, podem ter nomes diferentes, mas tendem a sofrer juntas. Diversificar o nome não diversifica o fator que causa o risco.
Diversificar não é o mesmo que distribuir risco
Ter várias estratégias não é, por si só, distribuir risco. O risco cai quando cada estratégia depende de fatores relativamente diferentes dos fatores das outras. Situações que aumentam a correlação:
- usar o mesmo indicador de entrada, ainda que com parâmetros diferentes;
- ser disparada pelo mesmo evento econômico;
- depender do mesmo tipo de movimento, como uma tendência forte;
- repetir a mesma lógica de saída, mesmo com nomes distintos.
Se duas estratégias são correlacionadas, aumenta a chance de perderem no mesmo mês. O resultado é uma diversificação aparente: o trader (operador) acha que dividiu o risco, mas, na prática, concentrou tudo em um fator só.
Um exemplo hipotético com números
Para mostrar a lógica, veja um cálculo didático. Ele não é recomendação de operação nem previsão de mercado.
Suponha duas estratégias hipotéticas, A e B, cada uma com volatilidade mensal de 6%. Volatilidade, ou desvio padrão dos retornos, mostra o quanto o resultado oscila em torno da média. Uma carteira simplificada, ou seja, o conjunto das duas estratégias, usa 50% do capital em cada uma.
A volatilidade combinada da carteira pode ser aproximada por:
vol = raiz quadrada de [ (0,5×6%)² + (0,5×6%)² + 2×0,5×0,5×correlação×6%×6% ]
Com correlação 0, o cálculo dá 4,24% (4.24%) ao mês. Com correlação 0,8, sobe para 5,69% (5.69%) ao mês. Com correlação 1, fica em 6%, e a diversificação não teria efeito. O exercício mostra que, mantida a mesma divisão 50/50, o risco cai menos quando as estratégias andam juntas.

Valores do exemplo hipotético; não são previsão de mercado.
O que a correlação não garante
Correlação histórica ajuda, mas não é garantia. Ela muda com o tempo. Em períodos de estresse, estratégias que pareciam independentes podem passar a se mover juntas. Um trecho de correlação baixa no passado não assegura que o próximo período será igual.
Também é comum confundir direções opostas com fontes independentes de risco. Se uma estratégia mantém uma posição comprada, uma aposta na alta, e outra mantém uma posição vendida, uma aposta na baixa, no mesmo ativo e em valores equivalentes, o efeito direto do preço pode se anular. Isso não quer dizer que as fontes de risco sejam independentes: custos, taxas e o instante em que cada ordem é enviada podem fazer as duas perderem ao mesmo tempo.
A pergunta mais útil é: essas estratégias dependem dos mesmos fatores ou de fatores distintos? Em vez de contar quantas estratégias existem, o iniciante pode observar o que faz cada uma ganhar e perder. Correlação mede semelhança de comportamento; ela não é um escudo contra perdas.
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