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Tecnologia democratiza acesso e acelera expansão do mercado de capitais, diz Anbima
Resumo:Diretor da Anbima diz que o futuro do mercado de capitais brasileiro será cada vez mais digital e que entidade busca garantir que cada nova tecnologia seja acompanhada por padrões claros de governança
A modernização tecnológica e o avanço digital têm se mostrado ferramentas de apoio fundamental não só à democratização do mercado de capitais, mas também de aceleração na criação de instrumentos de investimentos disponíveis, destaca a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
“A combinação de inovação tecnológica, facilidade de acesso e iniciativas de educação financeira vem derrubando antigas barreiras de entrada que separavam o cidadão comum das oportunidades de investimento. O que antes parecia um ‘clube fechado’ hoje se transforma em um ecossistema acessível, digital e em rápida expansão”, diz a entidade.
Os dados mais recentes comprovam essa tese, segundo a Anbima. O estoque de títulos privados não bancários (debêntures, CRIs, CRAs e notas comerciais) somou R$ 3,9 trilhões, enquanto o valor das ações emitidas por empresas totalizou R$ 4,8 trilhões.
“Esses números mais que dobraram em sete anos, demonstrando a velocidade com que o mercado de capitais passou a financiar a economia real. A indústria de fundos de investimento, por exemplo, já detém 57% de todos os títulos privados em circulação e administra quase R$ 810 bilhões em ativos de crédito corporativo, evidenciando o poder de capilarização dos investimentos coletivos”, diz nota da Anbima.
Supervisão e transparência
Ao mesmo tempo, o uso de tecnologias de automação e análise de dados pelo mercado vem ampliando a transparência, a supervisão e a resiliência cibernética. Para a Anbima, a integração entre normas claras e inovação é uma condição essencial para o desenvolvimento sustentável do setor.
“O futuro do mercado de capitais brasileiro será cada vez mais digital. Nosso papel é garantir que cada nova tecnologia seja acompanhada por padrões claros de governança e pela preparação dos profissionais e investidores que atuam nesse ecossistema”, afirma em nota Zeca Doherty, diretor-executivo da Anbima.
Segundo dados recentes da associação, o mercado se consolidou como fonte de captação financeira para empresas de todos os portes: 33,6% dos recursos levantados por companhias não financeiras já vêm desse mercado, percentual equivalente ao crédito bancário tradicional (33,3%).
O total de recursos no mercado financeiro atingiu R$ 8,7 trilhões em 2025, representando 68,5% do PIB brasileiro, praticamente o dobro do observado em 2018.
Na prática, o volume de financiamento viabilizado por esses instrumentos contribuiu para que o PIB brasileiro mantivesse crescimento médio anual de 3,3% entre 2021 e 2025 (pós-Covid), bem acima da média histórica anual dos últimos dez anos (1,41%).
O avanço digital permitiu a criação de instrumentos e plataformas que conectam quem tem recursos a quem precisa financiar projetos produtivos. No ambiente tecnológico atual, open finance, APIs, blockchain e inteligência artificial já fazem parte da rotina das instituições financeiras e dos investidores. Esse ecossistema mais integrado reduziu o chamado “pedágio de entrada” no mercado, permitindo aplicações de menor valor e ampliando a liquidez em produtos antes restritos somente aos grandes investidores.
A transformação também vem acompanhada de novas regras e de um arcabouço regulatório moderno. A Lei nº 14.478/2022, que instituiu o marco dos ativos virtuais, e as resoluções do Banco Central de 2025/26 consolidaram o Brasil entre os países mais avançados do mundo em regulação de finanças digitais.
Em abril de 2026, a Anbima publicou diretrizes com normas para a custódia de ativos virtuais, que tratam de temas como segregação patrimonial, prova de reservas e governança técnica. Essa iniciativa complementa o marco regulatório estatal e oferece mais segurança ao investidor de varejo no uso de tecnologias como tokenização, que começa a permitir a negociação digital de cotas de fundos, debêntures e recebíveis.
Democratização
A trajetória de democratização se torna ainda mais concreta quando chega ao cotidiano dos brasileiros, enfatiza a Anima. A entidade cita que a digitalização de processos, a ampliação da educação financeira e o fortalecimento das boas práticas vêm tornando o mercado de capitais parte da vida real, seja no financiamento de empresas locais, no apoio à infraestrutura ou no investimento das famílias para o futuro.
“A tecnologia tem sido uma alavanca decisiva para essa transformação, porque reduz custos, amplia a transparência e aproxima o cidadão comum das oportunidades antes concentradas em poucos canais”, diz o diretor.
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